Uma Ameaça Real

Antes de começarmos a discutir o assunto, gostaria de te apresentar alguns relatos de ameaças, sofridos por pescadores sub durante suas pescarias, feitas por pescadores de outras classes e modalidades. Os nomes dos autores das ameaças serão preservados para evitar retaliações.

Caso 01: Rafael Henrique de Sá Francisco

Reservatório de Miranda, no Rio Araguari entre os municípios de Indianópolis e Uberlândia – MG, dia 16 de junho de 2021.

“Meu nome é Rafael Henrique tenho 26 anos, Venho aqui deixar um relato sobre o que me aconteceu hoje 19/06/21. Eu estava pescando em Indianópolis MG na represa de Miranda. Sou pescador sub regularizado. E estava eu e um amigo pirangueiro na canoa. Eu desci fiz uma espera e subi, quando fiz outra espera e subi me deparei com um cara pegando pedras pra me atirar e me xingando. Me senti intimado e voltei pra canoa. O nome dele é …, conhecido como Sargento …, estava ele e o filho dele que se chama …, e quando eu perguntei porque ele fez isso, ele disse que atrapalha ele pescar. Ele estava em um tablado dele não sei se é regularizado”.

Casos 02 e 03: Luiz Felipe Meredyk

“Gostaria de lhe repassar, duas situações em que fui ameaçado junto com meus amigos durante pescarias”.

Rio Tormenta, no município de Boa Vista da Aparecida – PR, em Setembro de 2019.

Primeiro caso: “Estávamos pescando no Rio Tormenta, deixamos o barco amarado na margem, quando estávamos voltando, percebemos a chegada de um senhor que ficou parado próximo ao barco nós esperando. Quando chegamos, nos abordou e pediu que entregássemos os peixes a ele, pois os peixes daquele local eram de propriedade dele. Respondi-lhe que não, que ele estava cometendo um equívoco e que não existe proprietário de água. Ele nos ameaçou falando que iria chamar a polícia. Falamos que não teria problema, que poderia fazer, pois não estava sendo feito nada de errado. Ele nos disse em tom de ameaça, que se voltássemos a pescar naquele local, ele poderia afundar os pescadores. Aí respondi que nos iríamos chamar a polícia. Então, porque ele estava nos ameaçando. O amigo dele que estava por perto resolveu interferir, e o retirou do local, aí nós saímos e fomos para outro local pescar”.

Reservatório de Salto Osório, no município de São Jorge do Oeste – PR, em Março de 2021.

Segundo caso: “Estava pescando no alagado de Salto Osório, em São Jorge do Oeste, próximo a uma marina de propriedade particular, quando percebi que dois homens estavam em cima do trapiche. Como estavam longe, um deles começou a me xingar, falar palavrões e pediu que eu me aproximasse do local. Respondi que não, que ele poderia falar que eu estava ouvindo. Ele me falou que eu poderia levar um tiro porque estava mergulhando em propriedade particular, e que é proibido, por ser próximo da marina. Eu respondi que não sabia mas que iria buscas mais informações. Disse a ele que não existe proprietário da água e perguntei se ele teria coragem de atirar em um pescador? Percebendo algo errado meu amigo Daniel trouxe o barco que estava do outro lado, encostamos próximo a marina, embarcamos e partimos pra casa. Não conseguimos nem mergulhar mais após o susto. Era um domingo pela manhã, não tinha nenhum barco na água, o local não tinha sinalização alguma, placas, boias, e etc. Mesmo que estivéssemos mergulhando em local errado, não a justificativa para ameaçar a vida de uma pessoa pelo motivo de estar praticando o esporte que ama”.

Caso 04: Cassio Ernes

Dessa vez o relato vem em forma de vídeo, que conta e mostra em detalhes como tudo aconteceu.

Rio Paraná, em Rubinéia – SP, no dia 12 de Outubro de 2019.

Casos 05 e 06: Thyago Sub

Reservatório de São Simão, no município de São Simão – GO, em Setembro de 2020.

Junto com mais dois amigos, estava pescando próximo a Ilha do Hotel, que fica bem de frente com São Simão, quando escutei o barulho de um motor elétrico e o um barco se aproximando de mim. Levantei a cabeça, e visualizei dois indivíduos em cima do barco. Um senhor já mais de idade, e outro homem de aparência mais jovem, ambos caracterizados de pescador esportivo, devido as suas vestimentas. O senhor me perguntou: “Você não sabe que aqui é proibido mergulhar”? Eu respondi: Perante a legislação, aqui não tem restrição de mergulho, pois não estou em frente a rampa de desembarque e embarque de embarcações do hotel, muito pelo contrário, estou bem distante. Daqui onde estou nem o hotel consigo ver, e também, não estou vendo nenhum tipo de sinalização ou placa avisando sobre essa restrição. O barco ficava cada vez mais perto, deixando bem claro que queriam me intimidar. Já em tom de raiva o senhor disse: “Eu sou o dono do hotel, não interessa se tem placa ou não, eu estou dizendo que aqui é proibido e isso que interessa”. Eu perguntei: Mas com que autoridade o senhor afirma isso? E ainda quer suprimir meu direito de ir e vir? Mais alterado ainda, liga o motor do barco, que se tratava de um 150Hp, e acelerando gritava: “Então fique ai, vou na cidade e busco a Polícia Ambiental e te levo preso por pescar irregular”. Eu disse então: Me faça esse favor, busque mesmo a Ambiental e de preferencia traga a Marinha também, pois eu e meus amigos estamos todos documentados e aptos a praticar a pesca subaquática, assim como nosso barco está regularizado. Mas junto com os órgãos fiscalizadores, vamos averiguar a documentação de vocês dois, do barco e também se o hotel está regularizado a funcionar numa ilha e se encontra dentro de todas as conformidades da lei. Manobrando o barco de forma agressiva, saem acelerando em direção a são Simão, e nós ficamos ali por mais alguns minutos, tempo suficiente ara irem e voltar. Porém por não retornarem dentro daquele tempo, como de costume, trocamos de ponto e continuamos a pescaria.

Reservatório de Furnas, no Rio Grande, próximo a região dos famosos Cânions, no município de São José da Barra – MG, no ano de 2019.

Numa pescaria bem rápida, já no final da tarde, eu e mais dois amigos, estávamos pescando, e durante essa pescaria, trocando de um ponto e outro que era próximo, fomos nadando ao invés de buscar o barco. Nesse deslocamento, em que não estávamos pescando, apenas nadando para chegar ao próximo bico, passamos em frente a um tablado que tinha um senhor sentado, e outro homem mais novo vinha descendo do rancho. Nesse momento percebi que o olhar do senhor para nós três na água, não era legal. Continuamos e depois de alguns minutos chegamos ao bico e começamos a pescar. Mantendo a distância recomendada entre nós, começamos o revezamento entre os mergulhos e a pescaria. Eu estava mais no leito do bico, e depois de um tempo, comecei a escutar o barulho de um barco se aproximando. Por perceber que estava em alta velocidade, levantei a cabeça e identifiquei que estava vindo meu minha direção. O mais estranho é que o barco puxava um garoto num esqui aquático, e em alta velocidade o entraram pra dentro do bico. Um bico pequeno, sem o espaço adequado para o que estavam querendo fazer com o barco e o esqui aquático. Imediatamente levantei os braços para sinalizar, e tenho certeza que o piloto me viu, porém nem diminuiu a velocidade e muito menos desviou, e rapidamente mergulhei, e o barco passou a poucos centímetros de meu corpo. Assustado, volto a superfície e vejo o barco chegando no final do bico, fazendo a volta, e novamente vindo em minha direção. Sinalizo com os braços outra vez, e outra vez sem sucesso. Mergulho, e o barco passa por cima de mim outra vez. Voltando a superfície já identifico meus dois amigos sinalizando com os braços além de gritar, avisando o piloto da embarcação, que ali tinha mergulhador, e por mais incrível que possa parecer, o piloto viu meus amigos desesperados, e os ignorou. Outra vez passa com o barco em cima de mim. Dessa vez volto a superfície e já me desloco em direção ao barranco, nadando na máxima velocidade que conseguia, porém antes de chegar lá, percebo o barco e tenho que mergulhar outra vez. Pela quarta vez o barco passa em cima de mim, e como eu já não estava mais no leito do bico, ou seja, bem próximo da margem, ficou claro que a intenção do piloto, era realmente me atropelar. Chegando ao barranco, junto com meus dois amigos, gritamos e o barco após essa ultima passada, saiu do bico e o perdemos de vista. Um de meus amigos me pergunta: “Você viu quem era o piloto do barco”? Respondo: Da água não consegui identificar. Então os meus dois amigos confirmam: “Era o senhor que estava no tablado lá atrás, que passamos na frente, e nos olhou com uma cara não muito boa”. Definitivamente concluo que se tratou de uma tentativa de assassinato.

Caso 07: Preservado o nome da vítima em respeito aos familiares

Distrito de Banco do Pedro, próximo a Uruçuca – BA.

Infelizmente agora vem o pior de todos os relatos, pois o final foi muito trágico, terminando com a morte de um pescador subaquático.

“O corpo de um homem ainda sem identificação foi localizado boiando no Rio, na rodovia Ilhéus/Uruçuca, próximo do distrito do Banco do Pedro, zona norte da cidade. De acordo com as primeiras informações obtidas pela reportagem do Site Fábio Roberto Notícias, o homem estava praticando pesca de mergulho no rio perto de uma fazenda, quando o proprietário acompanhado de um funcionário avistou a vítima e exigiu a saída do rio, porém o pedido não foi aceito e acabou sendo baleado na cabeça. O corpo foi localizado por populares ainda no sábado com perfuração de arma de fogo de grosso calibre, sendo necessário o auxílio do corpo de bombeiros e da equipe do departamento de polícia técnica de Ilhéus para retirada do corpo do rio”.

Clique aqui, e tenha acesso a maiores detalhes sobre o ocorrido, além do vídeo que mostra a retirada do corpo do local, pelos Bombeiros.

Uma Ameaça Real

A que ponto chegamos!  Retirar a vida de uma pessoa, e ameaçar a tantas outras, apenas por não concordar ou não gostar da modalidade de pesca que elas praticam.

Quanto vale uma vida? Será que vale apenas a opinião de uma pessoa ignorante e sem escrúpulos? O porquê de tanta discordância e violência entre praticantes da pesca? Porque tanta perseguição aos pescadores sub? Porque tanto ódio por uma modalidade de pesca legalizada e permitida? Porque tantas ameaças a vida de pessoas?

Perguntas que ninguém sabe responder, ou pelo menos tentam e não conseguem. Uma coisa é clara, todos esses criminosos precisam ser identificados e punidos na forma da lei, para repreender mais ações como essa, que estão se tornando comuns, e assim evitar novas tragédias.

Proprietários de fazendas, ranchos e tablados, estão se auto intitulando donos dos rios e lagos, o que é no mínimo um absurdo, além de ser contra a lei. Perante a Constituição Federal, o domínio das águas pertence a União e aos Estados, ou seja, não é propriedade privada de nenhum cidadão. Eles não têm esse direito, mas por falta de fiscalização assim o fazem.

“A Constituição Federal divide entre a União e os Estados o domínio da água, da seguinte forma: (1) são bens da União os lagos, rios e quaisquer correntes de água em terrenos de seu domínio, ou que banhem mais de um Estado, sirvam de limites com outros países, ou se estendam a território estrangeiro ou dele provenham (CF art 20, inciso III); (2) são bens dos Estados as águas superficiais ou subterrâneas, fluentes, emergentes e em depósito, ressalvadas, na forma da lei, as decorrentes de obras da União (CF, art. 26, inciso I)”. Clique aqui e tenha acesso ao trabalho por completo.

Aqui temos apenas sete relatos de ameaças, e entre eles um que se concretizou no pior, ou seja, na morte de uma pessoa. Mas sabemos que existem muitos mais do que esses. Fatos que vem acontecendo cada vez com mais frequência, e que até agora nada foi feito para tentar solucionar, e evitar novos casos. Infelizmente agora uma pessoa perdeu a vida, e caso não sejam tomadas as devidas atitudes dos órgãos competentes, isso pode acontecer novamente.

Um importante trabalho precisa ser feito, e com urgência.

Primeiro é denunciar as autoridades competentes, esses abusos e excessos, ou seja, crimes cometidos por pescadores de outras classes e modalidades, contra os pescadores sub.

Segundo seria mostrar a sociedade, a verdadeira imagem da pesca subaquática, assim mudando a visão errônea que o esporte tem. Mudando essa imagem, evitamos o ódio e a discordância, e atitudes assim irão diminuir.

Por último, promover a união das classes e modalidades de pesca, onde uma respeitando e aceitando a outra, evitamos tragédias futuras.

Alguns vídeos e fotos postados em redes sociais, por pescadores subaquáticos, geram uma grande revolta em praticantes de outras modalidades, e com isso acabam circulando comentários de ódio e ameaças aos pescadores sub. Revolta sem sentido, pois se a foto representa uma captura dentro da lei, não tem o que ser discutido, e se a foto é de uma captura ilegal, esse fato não representa a modalidade, e mesmo assim não os dá o direito de subjugar e muito menos de ameaçar as vidas de outras pessoas.

Sabemos que erros, excessos e ilegalidades ocorrem em todas as classes e modalidades de pesca, porém apenas a pesca sub sofre as consequências desse erro cometidos por alguns praticantes. A solução nunca foi e nunca será perseguir a pesca sub, e sim, denunciar os praticantes de todas as modalidades que cometem ilegalidades para que sejam punidos. Simples fato, mais que acaba sendo ignorado por alguns.

O pescador subaquático não merece passar por isso e muito menos a modalidade. Então as verdades precisam aparecer e as punições precisam acontecer. A pesca subaquática precisa ser tratada com o respeito que merece, para isso sua imagem errônea precisa ser corrigida. Sabemos de todos os excessos e erros cometidos por alguns que se dizem pescadores sub. Porém além de não representarem a modalidade, eles são uma minoria. Não se deve generalizar a toda uma classe, por erros de poucos.

Já é sabido entre os praticantes, que a pesca subaquática é a única modalidade de pesca que permite ao pescador, escolher entre espécie, tamanho e sexo do peixe a ser abatido. Com isso o pescador pode escolher o que lhe convém, dentro da legislação e preservação do meio ambiente, que peixe capturar. Sendo ele permitido, num tamanho adequado para sua alimentação e que interfira menos na continuidade da espécie.

Que outra modalidade de pesca, seja ela amadora ou profissional, tem esse poder de escolha? Nenhuma, apenas a pesca sub. Então o porquê de tanta perseguição e discriminação em cima da modalidade? Simples, falta de conhecimento, preconceito e distorção da imagem. Outras modalidades de peca usam da falta de conhecimento da população, para distorcer a imagem da pesca sub, e assim gerar atitudes como as citadas acima.

Isso precisa parar. As pessoas precisam entender, que desde que liberada por lei, toda modalidade de pesca tem direito de existir. E a pesca subaquática é uma delas. Em vários Países do Mundo, a pesca sub, é vista como a modalidade mais ecologicamente correta que existe. Então o porquê que no Brasil, a imagem da modalidade é diferente? Justamente por que ações preconceituosas foram feitas para criar toda essa confusão.

Além de ser uma modalidade de pesca permitida, a pesca subaquática não pode ser considerada como predatória, justamente por ser uma modalidade amadora. Fatos que deixam claro que as perseguições não tem nenhum fundamento.

Devido a isso, nós pescadores sub, precisamos reverter essa situação, e devolver o status que a pesca sub merece ter, o de ser seletiva e amiga do meio ambiente. Cada um dos praticantes precisa defender seu esporte, porém de forma a demonstrar as pessoas, como ele é praticado, o que precisa ser feito, que é uma modalidade permitida por lei e totalmente legalizada, as restrições físicas e ambientais que estamos sujeitos. Um trabalho muito importante, e que precisa ser feito o mais rápido possível.

Abaixo deixo um vídeo disponível para você assistir e tirar suas conclusões sobre a pesca sub ser mesmo seletiva ou não, e com isso se a modalidade merece toda essa discriminação e preconceito exercido pelas outras classes e modalidades.

Faça a sua parte, denuncie o que for errado, explique como é a verdadeira pesca sub, evite conflitos, mesmo estando certo, não devolva insultos. Precisamos agir com muita cautela, até que toda essa situação atual melhore, e assim, possamos ter nossos direitos restituídos, e gozar de todas as maravilhas que a pesca sub nos proporciona.

Se você amigo pescador subaquático, que está lendo a esse artigo, sofreu ou passou por alguma situação parecida com as citadas aqui, por favor, deixe nos comentários abaixo o relato do ocorrido, com o máximo de detalhes possíveis. É muito importante a sua participação. Por favor, apenas vamos evitar de citar os nomes dos infratores, para evitar retaliações.

Thyago Sub – Instrutor de Mergulho livre,
Apneia e Pesca Subaquática

whatsapp: +55 34 992537757
e-mail[email protected]
Instagram: thyagosub
YouTube: Thyago Sub
Facebook: ThyagoSub Araguari
NAUI – #59706
DEEP QUEST BRASIL – DS2710IT2014

Um comentário

  1. Nós da pesca subaquática samos tratados como predador, sendo que a pesca sub está dentro da lei, e Temos que sempe estar em dia com cãs carteirinhas de pesca e sim regularizados e pescar dentro da cota e sempre capturar peixes exóticos e aloctones onde os mesmos não fazem parte o ecossistema da região. Nós aqui no Paraná temos TILAPIAS E CARPAS como exóticos

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *