Pesca Sub

“Ainda que seja uma das atividades de pesca com menos impacto ao meio ambiente, a pesca subaquática é muitas vezes mal vista e até criminalizada, sendo assim, para defender e desmistificar a modalidade, esta organização se faz presente. “

Definição

A pesca subaquática é uma atividade que consiste na pesca e coleta de espécimes aquáticos, geralmente peixes, utilizando técnicas de mergulho com espingarda subaquática de propulsão elástica (arbaletes ou pole spear) e pneumáticas podendo ser realizada tanto no mar quanto em água doce.

História

As primeiras atividades de pesca no mergulho registradas no Brasil foram dos indígenas ao longo do litoral, qual a praticavam em regiões represadas pela baixa maré, facilitando a captura de algumas espécies aquáticas.

Os aventureiros/escritores como exemplo de Hans Staden(1525-1576) e José de Anchieta(1534-1597), entre outros, descrevem em alguns documentos os “silvícolas” como “exímios mergulhadores que nadavam sob o mar com os olhos muito abertos”.

Em 1946 chegou ao Rio de Janeiro os primeiros equipamentos autônomos de mergulho e armas de pesca subaquática. Naquela época, brasileiros que viajavam com frequência para o exterior e também europeus que vieram morar no Brasil trouxeram o equipamento para a prática da atividade. E, no Rio de Janeiro encontraram as condições ideais para a prática. Água quente, peixe em abundância, litoral atraente, e as primeiras “caçadas submarinas” aconteceram aos pés de uma pedra que fica no final da praia do Leme, em uma das extremidades de Copacabana.

O primeiro campeonato de pesca subaquática foi em Angra dos Reis e aconteceu em 1952, organizado por Bruno de Otero Hermanny, sendo, até hoje, o único brasileiro bi-campeão mundial de pesca subaquática na categoria individual. E, em 1953 foi fundada a Confederação Brasileira de Caça Submarina(CBCS), qual passou a organizar campeonatos.

O primeiro Torneio de Pesca Subaquática Internacional ocorreu em março de 1959, e foi realizado entre a baía de Guaratiba e a ponta de Trindade, incluindo toda baía de Angra dos Reis. Nesse evento, participaram os países Itália, Portugal, Argentina e França. O Brasil participou com três equipes e venceu o primeiro e segundo lugar.

Nessa época a Confederação Brasileira era comandada por João Havelange, dirigente esportivo brasileiro e organizador de 6 Copas do Mundo, qual incentivou a pesca subaquática e permitiu que atletas brasileiros participassem de competições internacionais.

Nos dias de hoje temos duas confederações de pesca subaquática, a Confederação Brasileira de Pesca e Desportos Subaquáticos(CBPDS), filiada a Confederação Mundial de Atividades Subaquáticas(CMAS) e a Confederação Brasileira de Caça Submarina(CBCS).

É um passado grandioso, que foi praticado até mesmo por algumas figuras conhecidas no passado, como Cláudio Coutinho, que comandou o Flamengo e a Seleção Brasileira de Futebol na década de 1970, e Roberto Marinho, proprietário do Grupo Globo de 1925 a 2003, um dos homens mais poderosos e influentes do país no século XX.

Divisões

A atividade é dividida em pesca subaquática profissional e pesca subaquática esportiva, sendo a pesca subaquática profissional subdividida em apneia e respiração artificial, esta última permitida em apenas alguns Estados, como exemplo a Portaria nº 28. Já a pesca subaquática esportiva no Brasil é obrigatório a prática somente em apneia.

Subdivisões

A pesca subaquática profissional pode apenas ser realizada no mar. A pesca subaquática esportiva pode ser realizada no mar, rios, lagos e açudes, observando a legislação e cota de pesca que pode ser diferente para cada região. A pesca no mar divide-se em costeiras, parcéis/lajeados/ilhas e mergulho no azul, cada qual com seu nível de experiência e dificuldades, podendo ainda ser realizadas a noite, porém, considerada como uma condição e não divisão. Os tipos de pesca diferentes do azul ainda podem se subdividir em pesca de espera e pesca ao buraco.

Diagrama das divisões e subdivisões da pesca subaquática.

Legislação

A legislação referente a pesca é muito volúvel, confusa e geralmente não está em local de fácil identificação, o que detém algum tempo do praticante à sua procura, principalmente no que tange a pesca em água doce. Isso se deve ao fato do órgão responsável, o MMA – Ministério do Meio Ambiente, não centralizar as informações adequadamente para fácil acesso, e o que é disponibilizado geralmente se encontra incompleto e/ou apresentando diversos erros. Com isso, a falta de informação dos próprios órgãos fiscalizadores não é incomum, obrigando aos praticantes a levar consigo impressos da legislação local para evitar autuações irregulares. A confusão é tamanha, que gera reclamações constantes até em sites de defesa ao consumidor, conforme exemplo de reclamação no site Reclame Aqui, quando a competência era do MPA – Ministério da Pesca e Aquicultura.

Uma forma do praticante estar por dentro da jurisprudência do seu Estado e/ou região, é manter-se informado através deste site/sistema, utilizando o menu superior “acompanhamentos“, “áreas de exclusão da pesca” e “espécies esportivas e legislação“. A ferramenta atualiza as informações diariamente através de um motor de busca automatizado e exibe sempre em ordem decrescente da data de publicação. O processo também acompanha de perto o trâmite dos projetos de lei mais impactantes sobre a prática da atividade, informando imediatamente decisões em desfavor da atividade à federações, grupos, políticos, advogados, principais empresários da área e praticantes de grande influência.

Há também uma lista que retrata as espécies e sua legislação, atualizada/verificada diariamente e automaticamente por um motor de busca, pode ser acessada pela guia de “Acompanhamentos” e “Espécies e Legislação“. A informação pertinente aparece no campo “ocorrências”. O número que acompanha entre colchetes é a quantidade/total de publicações/documentos que foram identificadas até o momento sobre a espécie. Requer um pouco de leitura, mas se o processo fosse feito manualmente levaria meses e muita informação poderia passar despercebida, deixando o esportista descalço frente uma fiscalização.

Cota

Não existe cota máxima para o pescador profissional, a cota é estabelecida apenas para os pescadores amadores, que pescam para o seu próprio consumo. Apesar de se tratar de uma norma sem lógica, assim foi estabelecido e a regra deve ser seguida. A cota da pesca subaquática esportiva no mar é limitada em 15kg e mais uma peça de qualquer tamanho, respeitando as áreas de exclusão da pesca, tamanhos mínimos e máximos para captura, e a época de defeso, além da necessidade de possuir uma licença de pesca amadora que pode ser emitida clicando aqui. A cota esportiva em água doce difere da água salgada no peso máximo, o limite é de 10kg e deve-se respeitar a piracema, além do defeso de cada espécie. Porém, não é uma atividade fácil e precisa desenvolver muita prática pra conseguir atingir próximo dessa cota em um único dia de pescaria, levando em conta que a ideia é abater peixes esportivos e não tudo o que se vê pela frente.

Dificuldades

As dificuldades são inúmeras na pesca subaquática, entre elas:

  • a acessibilidade ao ponto de pesca;
  • o tempo que se consegue ficar sem respirar sujeito a pressão da coluna de água;
  • adversidades do tempo;
  • adversidades do estado do mar;
  • adversidades de correntes marítimas;
  • a expertise do peixe que se pretende capturar;
  • a concentração na mira com baixo nível de oxigenação;
  • o controle do nível de gás carbônico no organismo que coloca em risco a vida do esportista.

Riscos

Caminhando junto com as dificuldades estão os riscos no esporte. Um bom aprendizado, apesar de não obrigatório, pode ser a diferença entre a vida e a morte do esportista. Os riscos no esporte são:

  • animais marinhos, apesar de ser o menor risco;
  • trânsito de embarcações;
  • acessibilidade ao ponto de mergulho;
  • correntezas que podem deixar um esportista à deriva sujeito a hipotermia, insolação e inanição;
  • adversidades do mar e do tempo, quais podem levar a um naufrágio;
  • barotraumas causados na imersão, causados por congestões;
  • sincope causada pela elevação da pressão parcial do gás carbônico durante a submersão.

Sítios de pesca

Com o avanço da tecnologia de motores, cartografia digital e sistemas GPS, possibilitou aos esportistas procurarem por pontos não visuais cada vez mais distantes da costa, aumentando o sucesso nas pescarias e possibilitando também a captura de exemplares maiores e de alto mar. Porém, demanda de conhecimento cartográfico identificar esses locais.

A imagem mostra como identificar pontos de pesca em uma carta náutica.
  • praias de areia se prolongam pelo mar, mas são péssimos pesqueiros, pois não abrigam ou centralizam cardumes de peixes esportivos;
  • recifes ou parcéis são aglomerados de pedras ou corais, geralmente com faixas de areia em volta e que se tornam um abrigo em meio a vastidão de areia. São excelentes pontos de pesca, principalmente peixes de passagem quando próximo à quedas profundas;
  • desabamentos rochosos junto à encostas são bons pontos de pesca, geralmente as pedras estão amontoadas e formam grandes grutas, onde se abrigam várias espécies de peixes, é uma área também de grande vida encrustada que se desprende com a arrebentação das ondas, atraindo peixes para alimentação. Devido a ação das ondas também é uma área muito oxigenada, então os peixes gostam de transitar na área;
  • destroços são excelentes pesqueiros, e assim como os parcéis abrigam a vida marinha da vastidão de areia, e peixes maiores, predadores, fazem incursões nesses locais buscando uma refeição;
  • boias de marcação de canais, boias de medição oceânicas e estruturas de plataformas também são excelentes pesqueiros, e as pescarias são 100% de peixes de passagem. Porém, no caso de plataformas, podem existir restrições de aproximação na legislação;
  • ilhas abrigam peixes que se encontram em costeira e peixes de mar aberto. Os melhores pontos são os pontos com maior movimento de maré, que simulam o evento que ocorre nas costeiras. Locais abrigados são péssimos pesqueiros;
  • regiões de queda brusca, elevação na carta náutica ou vales também podem acusar áreas de pesca. Porém, esse tipo de pesca conhecido como blue water, utiliza-se de atratores e engodo para atrair a atenção do peixe à superfície em meio ao azul oceânico e a grande profundidade.

Impacto

A pesca subaquática esportiva é a atividade de pesca com menos impacto ao meio ambiente comparando entre todas as outras, mesmo com a cota de pesca sendo maior na divisão profissional e sendo permitido a utilização de respiração artificial. Isso se deve pelo fato do limite de profundidade que se pode alcançar, tempo submerso, os poucos locais para esse tipo de pesca e as condições necessárias para a sua prática, que envolvem acessibilidade, correnteza, visibilidade e o nível de agitação do mar.

Gráfico comparativo de atividades em 1 dia de captura

Impacto comparativo entre as atividades em relação a cota e a média de captura em 1 dia de condições perfeitas para a pesca e dentro da legislação.

Chega-se nesses números levando em conta que:

  • o pescador submarino amador leva um grupo de no máximo 4 indivíduos e a cota individual de pesca é de 15kg;
  • o barco de pesca de linha turística leva um grupo de no máximo 10 indivíduos e a cota individual de pesca é de 15kg;
  • o barco de pesca de rede profissional possui uma área de carga de pescado de 2.000kg, sem cota para a pesca.

Gráfico comparativo de atividades em 1 ano de captura

Impacto comparativo entre as atividades pesca subaquática esportiva, pesca de linha turística e pesca de rede, em relação a cota anual de captura e em condições perfeitas para a pesca para ambos, e dentro da legislação.

Chega-se nesses números levando em conta que:

  • o pescador submarino amador leva um grupo de no máximo 4 indivíduos, a cota individual de pesca é de 15kg e realiza a pescaria 1 vez por semana;
  • o barco de pesca de linha turística leva um grupo de no máximo 10 indivíduos, a cota individual de pesca é de 15kg e realiza a pescaria 6 vezes por semana, assumindo que 1 dia é descanso;
  • o barco de pesca de rede profissional possui uma área de carga de pescado de 2.000kg, sem cota para a pesca e realiza a pescaria 5 vezes por semana, assumindo que 2 dias são descanso.

Mitos

Com o crescimento da tecnologia digital, canais de internet e redes sociais, tornou-se comum a publicação de imagens da pesca subaquática, que pode ferir o sentimento de pessoas mais sensíveis. Afinal, os peixes precisam morrer para servir de alimento.

A atividade acaba gerando repúdio e com isso os mais diversos mitos, na tentativa de denegrir a imagem com o intuito de proibir a atividade. Porém, como apresentado com números, a pesca subaquática é o tipo de pesca que menos causa impacto.

Ideologia

Para muitos a pesca subaquática esportiva é apenas uma ideologia de vida, de forma a não contribuir com os excessos da indústria da pesca, a ideia é pescar para o próprio consumo, sem excessos, seletivo, sem desperdícios. Para a grande maioria, o maior valor é conseguir abater uma grande peça, sempre batendo o seu próprio recorde, e não fazer apenas volume de pesca. Porém, quando se trata de campeonatos, as regras são definidas pelos elaboradores, geralmente federações locais ou clubes, com autorização prévia do órgão legislador da pesca na região do evento, e o saldo da pesca doado à instituições de caridade.

O pescador subaquático ainda traz em sua ideologia o fundamento ecológico da preservação, sabendo que precisa ser o mais seleto possível para que haja a procriação e a reciclagem da vida marinha. Existe uma simbiose do praticante da pesca subaquática com o meio ambiente, e o praticante não liga de perder um dia de boa pescaria para salvar uma vida marinha, e se orgulha disso.

Ética

A pesca subaquática esportiva é praticada por grupos sociais variados, são empresários, juízes, médicos, engenheiros, analistas, lixeiros, presidente da república, entre outros, é uma união de classes sem distinção, como uma grande família. Mas, não há uma federação nacional presente e que regulamente a atividade, há federações regionais e Estaduais, mas não é obrigatório se filiar à elas. E, como não há uma legislação que regule a atividade como esporte, é muito fácil encontrar equipamentos de pesca subaquática à venda em qualquer loja de esportes. Porém, portar uma espingarda de pesca subaquática não faz de alguém um pescador subaquático, tem que haver instrução adequada e ética, e repudia qualquer ação que fuja à este contexto.

Eventos Sociais Financiados pela Pesca Subaquática

A Pesca Subaquática financia diversos eventos sociais, exemplo de gincanas de pesca para angariar fundos para ajudar entidades beneficentes e pessoas necessitadas. A atividade também projetos de recuperação da fauna e realiza eventos de conscientização e limpeza do meio ambiente.

Um projeto importante é o “Projeto Garoupeta” que tem o objetivo da criação da garoupa-verdadeira em cativeiro para o repovoamento, projeto do Felipe Caranha, membro da UABPS – União das Associações Brasileiras de Pesca Subaquática.

Outra associações e grupos de pesca espalhados pelo país executam ações sociais e beneficentes, com recursos próprios, obtidos de eventos de campeonatos de pesca subaquática ou por gincanas.


Um comentário

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